Platão
e a Alegoria da Caverna
Platão nasceu em Atenas em 427 a.C, era filho de Artíston e Perictioné.
Seu pai era um homem rico cuja dinastia remontava aos primórdios de Atenas.
Deu ao filho uma excelente educação, a quem deu o nome de Aristocles.
Platão era um apelido adquirido quando já moço, designando alguém que
tenha um porte atlético, com ombros largos. Platão não teve esposa nem
deixou filhos. Viajou pela Magna Grécia, onde aprendeu os ensinamentos
deixados por Pitágoras, andou pelo Egito e muitos afirmam que esteve no
Oriente.
Platão
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No início se dedicou a poesia e depois à filosofia. Conheceu Sócrates
com dezoito anos e o acompanhou por dez anos, até em 399 a.C., quando
Sócrates morreu. Em 387 a.C. fundou sua escola nos jardins de Academus,
dedicando-se ao ensino e composição de suas obras.
Foi sem dúvida um dos maiores filósofos que humanidade já possuiu, o
sábio dos sábios, durante 22 séculos.
Já sabemos que Sócrates é, pode-se dizer, o descobridor do conceito. Sabemos ainda que o interesse primeiro da filosofia socrática é a moral. Sócrates deseja que a moral possa ser aprendida e possa ser ensinada, como se aprende e se ensina gramática. Daí a razão por que Sócrates tem a convicção de que aquele que é mau, o é porque não sabe. Platão, por sua vez, abraça a idéia de conceito esposada por Sócrates, só que amplia a idéia de conceito. Para ele, essa idéia não se circunscreve apenas à virtude, mas abarca tudo, todas as coisas em geral. Neste caso, deve-se reconhecer que Platão junta a contribuição conceitual de Sócrates aos ensinamentos de Parmênides: une a idéia do ser à idéia de conceito, estabelecendo assim a sua teoria das idéias.
Platão faz distinção entre aparência e realidade. Ora, se existe um mundo de realidade e um mundo de aparência, deve-se procurar saber como se pode distinguir um do outro. Sabe-se que as aparências são diagnosticadas por nossas sensações, ao passo que as nossas idéias diagnosticam o mundo da realidade. Por aí se vê que só podemos aproximar-nos da realidade através do pensamento.
Já sabemos que Sócrates é, pode-se dizer, o descobridor do conceito. Sabemos ainda que o interesse primeiro da filosofia socrática é a moral. Sócrates deseja que a moral possa ser aprendida e possa ser ensinada, como se aprende e se ensina gramática. Daí a razão por que Sócrates tem a convicção de que aquele que é mau, o é porque não sabe. Platão, por sua vez, abraça a idéia de conceito esposada por Sócrates, só que amplia a idéia de conceito. Para ele, essa idéia não se circunscreve apenas à virtude, mas abarca tudo, todas as coisas em geral. Neste caso, deve-se reconhecer que Platão junta a contribuição conceitual de Sócrates aos ensinamentos de Parmênides: une a idéia do ser à idéia de conceito, estabelecendo assim a sua teoria das idéias.
Platão faz distinção entre aparência e realidade. Ora, se existe um mundo de realidade e um mundo de aparência, deve-se procurar saber como se pode distinguir um do outro. Sabe-se que as aparências são diagnosticadas por nossas sensações, ao passo que as nossas idéias diagnosticam o mundo da realidade. Por aí se vê que só podemos aproximar-nos da realidade através do pensamento.
A teoria do ser deduzida por Platão é aparência ilusória o que corresponde
à enganosa opinião sensível; o conhecimento verdadeiro é aquele que se
refere às essências, às idéias. É aí que se firma o ideal platônico e
temos então o estabelecimento da antítese entre o mundo fenomenológico,
formado pelos postulados da sensibilidade, e o mundo das essências que
só pode ser alcançado por intermédio da indução e da definição, como também
ensinava Sócrates.
Platão afirma que as idéias são vivas e não inertes, como a muitos poderia
parecer. Para ele a idéia mais importante é a do Bem, porque constitui
a natureza de Deus criador soberano do Cosmo. Não pode o Bem ser causa
do Mal. Todavia, a existência do Mal não pode ser negada, é o inverso,
que se opõe ao Bem. O que importa é que todas as idéias se inclinam para
aquela idéia superior a todas elas, que é a idéia do Bem. Ele quer que
o Estado se ajuste à idéia do Bem, dai por que coloca sua filosofia, sua
metafísica e sua ontologia a serviço da teoria política do Estado. Crê
que se a idéia do Bem é a suprem a idéia, aquela que rege e manda em todas
as outras idéias, do mesmo modo, entre tudo o que existe no mundo sensível,
o que deve e tem que coincidir com a idéia do Bem é o Estado. Por isso,
ele escreve esses dois livros admiráveis, A República, e As Leis, onde
mais profundamente estuda a formação do Estado ideal e chega à conclusão
de que o Estado ideal seria aquele em que os mandantes fossem filósofos.
Não se pense, contudo, que a filosofia platônica seja idealista,
como querem muitos. Não, para Platão, as idéias são realidades que
existem, aliás, as únicas verdadeiramente existentes, uma vez que as coisas
que vemos e tocamos são como sombras efêmeras. Deve-se, pois, entender
a filosofia de Platão como um realismo das idéias.
Na Alegoria da Caverna, Platão resume a aprendizagem do
homem, buscando as verdadeiras idéias no mundo maravilhoso do incognoscível.
E nessa alegoria que Platão estabelece a comparação entre o mundo sensível
e o mundo inteligível. Para tanto, lança mão de sombras que se projetam
no fundo de uma caverna escura, quando pela sua entrada passam objetos
iluminados pela luz do sol.
ALEGORIA DA CAVERNA
Imagine alguns homens vivendo em uma moradia em forma de caverna,
com uma grande abertura do lado da luz. Encontram-se ali desde a
sua meninice, presos por correntes que os imobilizam totalmente
e de tal modo que não podem nem mudar de lugar, nem volver a cabeça
e não vêem mais que aquilo que lhes está na frente. A luz lhes vem
de um fogo aceso a uma certa distância, por trás deles, em uma eminência
do terreno. Entre esse fogo e os prisioneiros há uma passagem elevada,
ao longo da qual imagine-se um pequeno muro, semelhante aos balcões
que os ilusionistas levantam entre si e os assistentes e por cima
dos quais mostram seus prodígios. Pensa agora que ao lado desse
muro alguns homens levam objetos de todos os tipos. Tais objetos
são levados acima da altura do muro e os homens que os transportam
alguns falam, outros seguem calados. Os prisioneiros, nessa situação,
jamais viram outra coisa senão as sombras, jamais ouviram outra
voz senão os ecos que reboam no fundo da caverna. Falarão das sombras
como se fossem objetos reais, terão os ecos como vozes verdadeiras.
Esses estranhos prisioneiros são semelhantes a nós, homens. Pensa
agora no que lhes acontecerá se forem libertados das cadeias que
os prendem e curados da ignorância em que jazem. Se um dentre eles
se levantar e volver o pescoço e caminhar, erguendo os olhos para
o lado da luz, certamente tais movimentos o farão sofrer e a luz
ofuscar-lhe-á a visão e impedirá que ele veja os objetos cuja sombra
enxergava há pouco. Ficará deveras embaraçado e dirá que as sombras
que via antes são mais verdadeiras que os objetos que são agora
mostrados. E se tal prisioneiro, arrancado à força do lugar onde
se encontra for conduzido para fora, para plena luz do sol, por
acaso não ficaria ele irritado e os seus olhos feridos? Deslumbrado
pela luz, porventura não precisaria acostumar-se para ver o espetáculo
da região superior? O que a princípio mais facilmente verá serão
as sombras, depois as imagens dos homens e dos demais objetos refletidos
nas águas, e finalmente será capaz de veres próprios objetos. Então
olhará para o céu. Suportará mais facilmente, à noite, a visão da
lua e das estrelas. Só mais tarde será capaz de contemplara luz
do sol. Quando isso acontecer reconhecerá que o sol governa todas
as coisas visíveis e também aquelas sombras no fundo da caverna.
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O próprio Platão, interpretando a Alegoria da Caverna, explica que:
A caverna subterrânea é o mundo visível. O fogo que a ilumina é a luz
do sol. O prisioneiro que sobe à região superior e contempla suas maravilhas
é a alma que ascende ao mundo inteligível. E o que eu penso, mas só Deus
sabe se é verdade. Em todo caso, eu creio que nos mais altos limites do
mundo inteligível está a idéia do bem que dificilmente percebemos, mas
que ao contemplá-la, concluímos que ela é a causa de tudo o que é belo
e bom. (A República, VII, 518b-d).
A partir de Sócrates se define o conceito, isto é, o conhecimento. Platão
define as idéias e suas relações dando-lhes valores, perfazendo um pensamento
lógico e aritmético. Mostra em sua alegoria que o homem poderá viver no
mundo das sombras (ignorância) acreditando em um mundo completamente diferente
da realidade, podendo talvez, atingir a luz (sabedoria), para viver livre
de preconceitos, conhecedor da verdade.
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